A crise de identidade européia: xenofobia como manifestação da extrema direita
Em
toda Europa, o crescimento dos movimentos de extrema direita é preocupante; a
crise de identidade, somada a intolerância, dá força a uma sociedade xenofóbica
na maior recessão dos últimos 70 anos como uma explicação para os problemas enfrentados atualmente.
A
migração (mudança de residência de um indivíduo ou grupo, seja para outra
cidade, estado ou país) é combatida como uma justificativa para as taxas de
desemprego e criminalidade, por exemplo. Suas causas podem ser variadas: busca
por melhor qualidade de vida, desastres naturais, guerras, fome e perseguições
no país de origem. O mundo globalizado facilitou estes deslocamentos a lugares
longínquos, devido ao desenvolvimento dos transportes (agilidade no
deslocamento) e comunicação (tecnologia a disposição da maioria).
Casos
de repercussão internacional nos chegam a conhecimento e com assombro, se
repetem dia a dia. Ainda que manifestações favoráveis ao “multiculturalismo”
sejam constantes na mídia, não é o suficiente para conter a enxurrada extremista
européia.
Na
França, a Front National (FN),
de Jean-Marie Le Pen já propôs a restauração da nação (etnicamente). Nicolas
Sarkozy, em meados de agosto do ano passado, promoveu a expulsão de imigrantes
ciganos, provenientes da Romênia, ao seu país. Em Portugal, o PNR (Partido
Nacional Renovador) divulga como parte dos seus “valores e princípios”
oficiais, a seguinte colocação: “(...) Situações
lamentáveis derivadas da irresponsabilidade do governo que ‘oferece’ e ‘vende’
a nacionalidade por um qualquer ‘suor’, protege a criminalidade resultante de
falta de valores e comodismos não se preocupando com a introdução de indivíduos
estranhos que em nada respeitam Portugal ou a nossa cultura.” Bélgica,
Holanda, Dinamarca e a cidade de Barcelona possuem algumas políticas que
proíbem o uso do véu islã - o niqab - em espaços públicos.
A noção de sociedade se dá pelo conhecimento do
outro; diferenciamos nossa cultura quando conhecemos outras – próximas ou não.
A crise de identidade vista hoje é resultado, também, da queda de poder, dos
valores econômicos falidos que não sustentam a sociedade européia. Numa
incoerência que beira a ironia, o aumento de imigrantes europeus dentro da
própria Europa aumenta a cada dia; estes, também fugindo da crise e seus reflexos
sociais.
Cabe
a nós o questionamento: o xenófobo de hoje, pode ser o imigrante do amanhã?
Alex
Ramalho, Erick
Henrique, Jéssica Verissimo
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