sexta-feira, 5 de abril de 2013

A crise de identidade européia: xenofobia como manifestação da extrema direita




Em toda Europa, o crescimento dos movimentos de extrema direita é preocupante; a crise de identidade, somada a intolerância, dá força a uma sociedade xenofóbica na maior recessão dos últimos 70 anos como uma explicação para os problemas enfrentados atualmente.

A migração (mudança de residência de um indivíduo ou grupo, seja para outra cidade, estado ou país) é combatida como uma justificativa para as taxas de desemprego e criminalidade, por exemplo. Suas causas podem ser variadas: busca por melhor qualidade de vida, desastres naturais, guerras, fome e perseguições no país de origem. O mundo globalizado facilitou estes deslocamentos a lugares longínquos, devido ao desenvolvimento dos transportes (agilidade no deslocamento) e comunicação (tecnologia a disposição da maioria).

Casos de repercussão internacional nos chegam a conhecimento e com assombro, se repetem dia a dia. Ainda que manifestações favoráveis ao “multiculturalismo” sejam constantes na mídia, não é o suficiente para conter a enxurrada extremista européia.

Na França, a Front National (FN), de Jean-Marie Le Pen já propôs a restauração da nação (etnicamente). Nicolas Sarkozy, em meados de agosto do ano passado, promoveu a expulsão de imigrantes ciganos, provenientes da Romênia, ao seu país. Em Portugal, o PNR (Partido Nacional Renovador) divulga como parte dos seus “valores e princípios” oficiais, a seguinte colocação: “(...) Situações lamentáveis derivadas da irresponsabilidade do governo que ‘oferece’ e ‘vende’ a nacionalidade por um qualquer ‘suor’, protege a criminalidade resultante de falta de valores e comodismos não se preocupando com a introdução de indivíduos estranhos que em nada respeitam Portugal ou a nossa cultura.” Bélgica, Holanda, Dinamarca e a cidade de Barcelona possuem algumas políticas que proíbem o uso do véu islã - o niqab - em espaços públicos.

 A noção de sociedade se dá pelo conhecimento do outro; diferenciamos nossa cultura quando conhecemos outras – próximas ou não. A crise de identidade vista hoje é resultado, também, da queda de poder, dos valores econômicos falidos que não sustentam a sociedade européia. Numa incoerência que beira a ironia, o aumento de imigrantes europeus dentro da própria Europa aumenta a cada dia; estes, também fugindo da crise e seus reflexos sociais.
Cabe a nós o questionamento: o xenófobo de hoje, pode ser o imigrante do amanhã?

  
Alex Ramalho, Erick Henrique, Jéssica Verissimo

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